segunda-feira, 7 de abril de 2014

Chuva

     Eu estava sentada próxima a janela, concentrada apenas em ouvir o barulho das gotas batendo contra o vidro. Era noite e eu não conseguia ver as estrelas graças a densas nuvens cinzas, porém não era isso que me preocupava e sim o fato de não poder sair para banhar-me. Meu cérebro nem tanta coisa se mantinha, o ano mal começara comigo passando por inseguranças, a pior parte é que são as mesmas de sempre, as que me atormentam desde que minha flor da adolescência aflorou. Queria me lavar de dentro para fora naquela simplicidade que caía do céu, quem sabe assim tudo não se encaixaria em seu devido lugar? Nem minhas escolhas saio mais as mesmas, minhas vontades se tornaram desconhecidas perante mim e minha opinião quase que não difere do que ouço. Tudo lá fora parece tão belo, tão brilhante, mas eu não posso ultrapassar da porta, seria arrastada pelos cabelos - obrigada imunologia baixa.
     Antes de cair doente, etta permitido andar na chuva quando se esquecia o guarda-chuva, eu o fazia de propósito, chegava com um sorriso de orelha a outra, completamente encharcada, no entanto, revigorada. Agora, está tudo tão sem graça, com tanta falta de lógica que, se passar mais tempo neste quadro adquiri claustrofobia. Só não agüento mais e, para enfatizar, vou abusar da frase de Pascal em um contexto diferente: esse silêncio me apavora.

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