quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Difícil de compreender

      No meio do festival, lá estava eu, escondida dentre a multidão mesmo que tenha ido obrigada pelos meus pais -- Eles acreditam que minha vida social pode voltar dos mortos. Não olhava para ninguém, meus pensamentos perdidos naquele estranho céu nublado que jogava algumas gotículas em cima de nós para logo depois recolhe-las indeciso, justamente como eu andava me sentindo. É a surrada história de uma garotinha solitária apesar de inúmeros rostos ao seu redor, como se eles não fossem o suficiente para acalmar a inquietude que se fixara. 
      Odiava tal contato, para mim a vida real mais parecia um jogo de sobrevivência no qual ganha quem sabe se adaptar melhor a cada ambiente -- Nesse estilo de game, mesmo que virtualmente, eu sempre perco.  Eu não queria fazer parte da sociedade humana, tão competitiva, tão carente por atenção e afeto... Não, não pertencia a ela. Só mostravam seu lado bom nas comemorações, onde tudo é paz e tranquilidade, é só esperar que os seres acordem e perceberão que tudo não passou de um momento, coisas que a gente diz graças as emoções que te preenchem naquele instante. Tão corrompida, tão suja... Eu não conseguia mais ver bondade.
      Multidões me irritam, por isso corri discretamente para bem longe, para mais próximo das árvores, onde ninguém imaginava encostar justamente por estar vazio. Fora lá que deixei rolar as lágrimas que guardava. Por que? Como já disse, não entendo bem o que está acontecendo comigo, uma hora estou sorrindo, na outra já estou chorando no silêncio de um canto. Provavelmente é a mágoa que guardei durante tanto tempo por motivos que me fogem da memória ou pode ser todas as inúmeras vezes fracassadas que tentei me aproximar de alguém de carne e osso. Nunca me senti tão deslocada. 
      Olhei mais uma vez o céu, agora com dificuldade graças as lágrimas teimosas que escorregavam pelas minhas bochechas, não haviam mais nuvens, agora só as estrelas reinavam. Foi então que senti quatro mãos quentes tocando minhas costas suavemente, como se suplicassem para que eu não estivesse daquele jeito, tão fraca e vulnerável... 
      Talvez fosse coisa da minha cabeça, mas naquele momento eu não estava mais só, ali eu tinha quem se importasse comigo, provavelmente o motivo de toda a minha revolta começasse ali... Lá eu podia enxergar nitidamente "celebridades" como a Marina, alguém que me ensinou que "devemos ser quem somos, haverá sempre quem goste assim como terá quem não goste, o segredo é nunca esquecer de quem se importa conosco". Ou o Armin, que uma vez me disse: "você é gentil, ajuda quando precisamos... É fácil gostar de você". O Lauro e o Oliver que sempre jogavam minha estima pra cima. 
      Mesmo eles não estando fisicamente ali, ao meu lado, eu os sentia. Foram eles que me fizeram erguer a cabeça e seguir caminhando mesmo que meus pés descalços se prendam em espinhos, haverá sempre uma mão para tirar esses espinhos da minha pele. Foi por isso que consegui enfrentar meu maior medo, as pessoas e suas mentes indecifráveis -- sim, tudo o que eu disse antes era apenas um pretexto que escondia esse receio -- livres para me fazer ter das melhores até as piores sensações, mas eu as enfrentei por que... Por ter eles ali, fazendo-me rir e me divertir em território inimigo.

Confuso? Normal, não me sinto numa vibe legal para escrever, estou como a personagem, perdida dentro do local que eu mais desconheço: eu mesma. Resuminho básico: a garota se refugia da sociedade por ter medo do que podem pensar dela (dos comentários maldosos). Ela é obrigada a sair de casa pelos pais mesmo que não se sinta confortável com isso, então começa a e sentir mal e se afasta das pessoas. No seu refúgio, ela percebe os amigos mentalmente ali, dando forças para ela superar esse "medo" e então volta para a multidão, diverte-se só para provar para si que é capaz. 

Espero que tenham gostado... Como disse, minha criatividade parece ter me abandonado

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sweet imagination

Em uma noite, onde a imaginação estava à solta


Insônia, um jeito engraçado de as ideias fluírem, não? Você se arruma toda, deita na cama, se enrola e... Não consegue dormir por algo está martelando na cabeça e o corpo não etá cansado a ponto de lhe permitir tal evasiva. No que se pensa em uma hora desta? Simples! Em você mesmo. Eu estava cá com meus botões imaginando que o grande problema de tudo o que me aflige sou eu mesmo, é, acho que realmente sou uma garota-problema... As vezes me sinto desagradável para com as pessoas mais próximas por motivos que me escapam da memória. Sinto-me, quase sempre inútil, alguém que só sabe se lamentar e chorar do que não fez ou das poucas coisas que fez sem pensar. É aquela velha história das pessoas que sonham demais e acabam caindo, ainda mais quem um dia pensou ser uma bonequinha de vidro -- não era por mal, mas sim por conta da minha vida voltada inteiramente para um mundo paralelo ao real, um onde todos os sonhos se realizam e que os príncipes existem...
Ai, pobre de minhas vítimas! Finjo-me de solidária e de 'poucos amigos', roubou-lhes a atenção para depois, como todo brinquedo muito usado, cansar-me deles, atirando-os no esquecimento. Não sem antes fazer besteira, pisar em bosta atrás de bosta para tentar recuperar o que já está perdido, como um ciclo vicioso. As vezes isso flui tão naturalmente que, quando percebo, já estou correndo atrás de alguém feridamente magoado por mim mesma, estranho não? Talvez seja essa a minha forma de estancar dores passadas que, como fantasmas, voltam para me assombrar e sangrar, mas não é um jeito correto de se lidar. 
Posso viver com os pés presos à um tempo não muito distante, sem querer aceitar um ou dois nocautes que me levaram ao chão, só que eu não quero voltar para a superfície gélida, recuso-me a aceitar até que um dia estive nela de tão "boa" que fora a experiência.Sou um desafio até para mim mesma, um dia cruzo a esquerda, no outro já estou à direita, afinal, um senso de direção danificado. 
Não quero que pensem que estou fazendo-me de vítima, teria muito mais drama do que o ligeiro relato, acreditem, estou apenas anunciando para os futuros participantes do reality show que se tornou minha vida que, tenham cuidado comigo, me imagino como um parasita solidário, te amando até que se afaste, quando estiver longe, estará tudo acabado pra mim -- tradução: sua existência será deletada de mim. Indolor, evitando relembrar dos sofrimentos que tive ao seu lado, assim sobra apenas as alegrias, já carrego pesos demais sobre o ombro. O que me atormentou a escrever (logo eu, tão de mal com redação, português, leitura e tudo o que esteja relacionado aos três)? Mais uma amizade entrando em ruínas, apesar desta eu estar tentando re-erguer com todas as forças por algo um tanto que óbvio: com este ser eu nunca fui infeliz por motivos que o entrelaçassem, encontrava-se sempre rindo ou sendo consolada com risos. Quando finalmente encontro algo que preste, estrago. É, agora é correr atrás e desviar das bostas.