No meio do festival, lá estava eu, escondida dentre a multidão mesmo que tenha ido obrigada pelos meus pais -- Eles acreditam que minha vida social pode voltar dos mortos. Não olhava para ninguém, meus pensamentos perdidos naquele estranho céu nublado que jogava algumas gotículas em cima de nós para logo depois recolhe-las indeciso, justamente como eu andava me sentindo. É a surrada história de uma garotinha solitária apesar de inúmeros rostos ao seu redor, como se eles não fossem o suficiente para acalmar a inquietude que se fixara.
Odiava tal contato, para mim a vida real mais parecia um jogo de sobrevivência no qual ganha quem sabe se adaptar melhor a cada ambiente -- Nesse estilo de game, mesmo que virtualmente, eu sempre perco. Eu não queria fazer parte da sociedade humana, tão competitiva, tão carente por atenção e afeto... Não, não pertencia a ela. Só mostravam seu lado bom nas comemorações, onde tudo é paz e tranquilidade, é só esperar que os seres acordem e perceberão que tudo não passou de um momento, coisas que a gente diz graças as emoções que te preenchem naquele instante. Tão corrompida, tão suja... Eu não conseguia mais ver bondade.
Multidões me irritam, por isso corri discretamente para bem longe, para mais próximo das árvores, onde ninguém imaginava encostar justamente por estar vazio. Fora lá que deixei rolar as lágrimas que guardava. Por que? Como já disse, não entendo bem o que está acontecendo comigo, uma hora estou sorrindo, na outra já estou chorando no silêncio de um canto. Provavelmente é a mágoa que guardei durante tanto tempo por motivos que me fogem da memória ou pode ser todas as inúmeras vezes fracassadas que tentei me aproximar de alguém de carne e osso. Nunca me senti tão deslocada.
Olhei mais uma vez o céu, agora com dificuldade graças as lágrimas teimosas que escorregavam pelas minhas bochechas, não haviam mais nuvens, agora só as estrelas reinavam. Foi então que senti quatro mãos quentes tocando minhas costas suavemente, como se suplicassem para que eu não estivesse daquele jeito, tão fraca e vulnerável...
Talvez fosse coisa da minha cabeça, mas naquele momento eu não estava mais só, ali eu tinha quem se importasse comigo, provavelmente o motivo de toda a minha revolta começasse ali... Lá eu podia enxergar nitidamente "celebridades" como a Marina, alguém que me ensinou que "devemos ser quem somos, haverá sempre quem goste assim como terá quem não goste, o segredo é nunca esquecer de quem se importa conosco". Ou o Armin, que uma vez me disse: "você é gentil, ajuda quando precisamos... É fácil gostar de você". O Lauro e o Oliver que sempre jogavam minha estima pra cima.
Mesmo eles não estando fisicamente ali, ao meu lado, eu os sentia. Foram eles que me fizeram erguer a cabeça e seguir caminhando mesmo que meus pés descalços se prendam em espinhos, haverá sempre uma mão para tirar esses espinhos da minha pele. Foi por isso que consegui enfrentar meu maior medo, as pessoas e suas mentes indecifráveis -- sim, tudo o que eu disse antes era apenas um pretexto que escondia esse receio -- livres para me fazer ter das melhores até as piores sensações, mas eu as enfrentei por que... Por ter eles ali, fazendo-me rir e me divertir em território inimigo.
Confuso? Normal, não me sinto numa vibe legal para escrever, estou como a personagem, perdida dentro do local que eu mais desconheço: eu mesma. Resuminho básico: a garota se refugia da sociedade por ter medo do que podem pensar dela (dos comentários maldosos). Ela é obrigada a sair de casa pelos pais mesmo que não se sinta confortável com isso, então começa a e sentir mal e se afasta das pessoas. No seu refúgio, ela percebe os amigos mentalmente ali, dando forças para ela superar esse "medo" e então volta para a multidão, diverte-se só para provar para si que é capaz.
Espero que tenham gostado... Como disse, minha criatividade parece ter me abandonado
