terça-feira, 17 de junho de 2014

Suicídio

Não consigo ver nada, estou me contorcendo no chão numa mistura de dor e frio (não um qualquer, um que nem a mais grossa coberta faça passar, um que vem de dentro para fora). Não consigo erguer a cabeça ou mover outra parte do corpo, é como se eu estivesse colado em uma superfície qualquer, abandonado a própria sorte. Sinto o percurso das trilhões de fagulhas, desde que adentrarem na carne até o morrer de sua última força. Não sinto o ar, logo padecerei, não vale a pena lutar pelo que não vejo. Começo a amolecer aos poucos, vou me entregando de vez, quem sabe assim a agonia passe? Os suspiros foram saindo bem devagar, tendo um intervalo de tempo cada vez maior entre eles. Os olhos fechando de leve... E por fim, uma paz aconchegante no espírito.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Parque de diversões

No céu da noite não há estrelas nem a lua, apenas um frio solitário. Meus olhos querem chorar, apesar da alegria infantil ao redor, por motivo algum. Todos me observam como que tentando saber quem sou, adivinhando o fato da minha distante ligação com esse local. Meu coração tá apertado, talvez eu esteja agindo igual a uma criança mesmo renegando ser uma. Fico feliz muito rápido e algo acontece para me roubar tal sentimento. Não tenho fome, o que meu estômago quer é a sensação de borboletas dentro dele, só isso já o satisfaz. d lábios não querem comida, querem outros dos seus pressionado-os. Eu num todo? Estou confusa e triste...

Inverno

Olhe bem para o céu, a cor cinza é atrativa, não? O vento frio faz carinho nas demais faces, tornando-as levemente rosadas. É engraçado ver as plantas sorridentes com a esperança da chuva, principalmente nesta região de solo seco em épocas desoportunas. Um calor a açoitar num castigo aparentemente infindo, agora descansa em algum outro lugar.
Época de carinho entre amigos, familiares... Ver um filme em baixo de um edredom quentinho, boa companhia, pipoca, brigadeiro, pizza... Ah! Como é doce o cheirinho da manhã gélida, o quentinho da cama a nos abraçar tão apertado que para se soltar demora séculos, as roupas a pintar ainda mais o caminho das ruas...
Muitos reclamam, a batalha do banho é fato concreto e árduo, porém ninguém resiste. No caso do Brasil, quente demais para neve, dormir com o som da chuva a bater na nossa janela faz até um sono melhor.