quinta-feira, 24 de abril de 2014

Sério

O silêncio preenchia aquele espaço infinito e sem luz. Uma brisa fria percorrida na máxima velocidade tudo o que podia sem se preocupar se alguém se atingia. No meio, perdida no escuro do seu próprio sentimento, estava o rapaz, o corpo rolando por suas próprias lágrimas empoçadas a ponto de formarem um rio de poucas águas e muita extensão. Não conseguia erguer-se, nas costas vinha o peso das máguas a açoitar a pele úmida. Dos lábios saiam gemidos sofridos, carregados de angústia e mal-estar. Os olhos abertos iam se fechando aos poucos, encontravam-se exaustos após árdua busca por um fio de esperança. Ninguém te salvaria ou ouviria, no lugar que isso tudo ocorria nenhuma pessoa no mundo poderia entrar além dele. Era a mente do tal rapaz que o mascarava dessa forma, dentro dela ele sofria sem piedade, fora dela mais parecia um ser sem sentimentos.
Mantinha o olhar sério em nada, os menos olhos que cansaram de procurar a bondade no que viam. O corpo seguia no mais pleno desgaste, desejoso por algo macio para se esparramar. O que transparecia era o ar de gente comum, típica pessoa a andar por uma rua lotada, com passados apressados. Mas por dentro um mundo de punições era montado para o fazer sobreviver por lá.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Chuva

     Eu estava sentada próxima a janela, concentrada apenas em ouvir o barulho das gotas batendo contra o vidro. Era noite e eu não conseguia ver as estrelas graças a densas nuvens cinzas, porém não era isso que me preocupava e sim o fato de não poder sair para banhar-me. Meu cérebro nem tanta coisa se mantinha, o ano mal começara comigo passando por inseguranças, a pior parte é que são as mesmas de sempre, as que me atormentam desde que minha flor da adolescência aflorou. Queria me lavar de dentro para fora naquela simplicidade que caía do céu, quem sabe assim tudo não se encaixaria em seu devido lugar? Nem minhas escolhas saio mais as mesmas, minhas vontades se tornaram desconhecidas perante mim e minha opinião quase que não difere do que ouço. Tudo lá fora parece tão belo, tão brilhante, mas eu não posso ultrapassar da porta, seria arrastada pelos cabelos - obrigada imunologia baixa.
     Antes de cair doente, etta permitido andar na chuva quando se esquecia o guarda-chuva, eu o fazia de propósito, chegava com um sorriso de orelha a outra, completamente encharcada, no entanto, revigorada. Agora, está tudo tão sem graça, com tanta falta de lógica que, se passar mais tempo neste quadro adquiri claustrofobia. Só não agüento mais e, para enfatizar, vou abusar da frase de Pascal em um contexto diferente: esse silêncio me apavora.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Medo

     Eu estava deitada em meu quarto... Na verdade, ele não era bem meu, tratava-se de um espaço que me foi dado emprestado, por isso não fico tão a vontade nele. Gostava de sentar na pequena cama, observando a parede branca manchada de mofo, pensando em quando alguém me tiraria daqui, mas o barulho da solidão preenchia meu ouvido em uma negativa resposta.
     Não havia uma noite que eu não chorasse em silêncio, Pitty como música de fundo na tentativa de evitar lágrimas... Na esperança de fugir eu só ia afundando cada vez mais nos meus próprios medos, sendo sufocada pelas incertezas, a luz da salação ia enfraquecendo... Não dá certo se trancar em si mesma, as emoções de uma jovem são oscilantes e podem levá-la a mais plena loucura.

As águas calmas de um mar turbulendo

     Após tanto lutar contra monstros cavernosos criados pela minha própria imaginação, depois de fugir da drástica chuva que desceu do céu aumentando o volume deste mar, do meu mundo colorido ser pintado de preto de repente, de guerras acontecerem comigo como capitã... Finalmente alcancei o pódio da paz, nunca naveguei em águas tão calmas e... Como as estou detestando!
     A calmaria não é o colorido que sempre imaginei e sim uma mistura de todas as cores, um branco tão puro e nada purificante que só serve por alguns meros dias, quando alcança meses, se torna enlouquecedor! As ideias parecem fugir, como está bem, não há o que mudar, não há o que pensar para melhorar, este mar parece não precisar de mais nada, isso é tedioso. 
     Talvez eu tenha um atrativo por coisas complicadas, sou capaz de demorar séculos resolvendo de uma forma satisfatória. A cada necessidade me aparece uma personalidade diferente, surpreendente e magnífica, quando não há o que enfrentar, não há nada, apenas uma casca que envolve uma alma pacífica. 
     É estranho, mas quando se está em guerra, lutamos para conquistar a paz. Quando a calmaria se instala, rezamos baixinho para que algum conflito exploda e te tire do tédio mortal ao qual está preso. Ao menos é assim que me sinto, desejando algo que me faça ter boas ideias, que me faça escrever como uma louca para expressar o sentimento que está me impregnando... Estou desejando guerra! Assim está o meio da minha juventude...