domingo, 29 de dezembro de 2013

Epitácio

Sentada em um canto sem luz, apenas uma janela aberta trazendo uma brisa gélida que bate no rosto de forma inquietante, a agoniar desde os cabelos até os dedos dos pés. Quieta, observando a parede antes arroxeadas, agora de tons negros sombrios, pensando em como fora o decorrer de seu ano.
Sabe quando não se tem muito a dizer? Era assim que se sentia, e como não? Passara os dias demonstrando um nada atrás de outro, sem sorrisos quando sentia-se bem, nada de lágrimas quando estava triste, sempre a mesma cara sem informações. Abraçava às pernas fortemente, fora um erro? Acreditava que sim. Poderia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sul nascer, queria ter sorriso mais, tido menos preocupações e fazer o que queria fazer.
Agora era só esperar, esperar que ela matasse esse amo e tomasse o controle do ano que estava para nascer. Tudo o que desejava era isso...

Nenhum comentário: