sábado, 16 de novembro de 2013

Carta anônimo

Como faz falta colocar minhas confusões em um papel secreto, nunca da em nada, assumo de primeira, mas eu ao menos fico mais calma do que falando com outra pessoa. Todos parecem saber que eu e a sociedade estamos brigadas desde que nasci, explicar melhor, não sou de ter muitas amizades  fico com quatro no máximo (imagine eu entre oito pessoas?!). Sei lá, acho que tenho sério problemas com isso. Talvez seja esse meu desconforto perante uma grande aglomeração de pessoas que não me permita ter um namorado, quem sabe seja a minha timidez astronômica que meio que me force a dizer o tão temido “não” que estou acostumada a ouvir também. 
Tolice pensar assim, namorados são fardos que ainda não tenho força para carregar. Apesar de tal pensamento, parece complô! Casais passam por mim como se dissessem "isso é para o seu recalque". Estou é ficando paranoica, afinal, este é o ano de Santo Antônio (o casamenteiro), todas rezando para ele atrás de marido. Deus me defenda de ter um garoto chato e suado me azucrinando o juízo.
Falo desse jeito para disfarçar, para mostrar que não tenho um por não precisar. Ha! Todos querem carinho, desde um leão até um passarinho. Maldita timidez... Se eu pudesse arrancá-la já o teria feito, mas não se pode. Maldade da vida ter implantado ela quando eu nasci. Os garotos e suas complexividades não ajudam muito, ai ai, só complicam.
Enquanto isso, vivo no meu canto, fugindo de tudo e de todos, ofuscando-me no escuro, onde me sinto segura. Ninguém precisa me notar não, sempre estive melhor atrás do holofote, mais confortável do que ter que equilibrar suas vontades com a de outras pessoas ou ter que aguentar ouvir asneira só por não querer brigar. Sou mais feliz aqui, na escuridão, a luz já não me quer (recíproco), só não quero morrer sozinha o resto é lucro.

Pseudônimo Melissa Lazzarolli

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